Prontas para NF-e, empresas buscam competitividade

Após passar por adaptações de seus sistemas internos, buscar informações fiscais e testes, as companhias buscam as vantagens da nota fiscal

Depois de passar pela primeira fase do projeto piloto da Secretaria da Fazenda (Sefaz), em abril de 2007, o qual contou com a participação de 19 empresas, a nota fiscal eletrônica (NF-e) entra, a partir de 1º de abril, com a obrigatoriedade para os setores de combustíveis e fabricantes de cigarros. Nesta etapa do projeto, 50 organizações destes setores terão de estar prontas para a prestação de contas ao fisco pelo meio eletrônico.

Estas empresas necessitam seguir o cronograma de normas obrigatórias da Sefaz, o que exige mão-de-obra por parte de desenvolvimento. Porém, ultrapassada esta fase, a expectativa é sair à frente em relação às empresas que ainda não começaram a mexer seus pauzinhos.

A Petrobas e a Petrobahia, por exemplo, já anseiam por este resultado. Apesar de elas trabalharem com volumes diferentes, ambas se encontram no mesmo estágio: o de testes e homologação. A Petrobras atende às 27 federações do País e emite entre 18 mil e 20 mil notas diárias, enquanto a Petrobahia, que soma 400 clientes entre os Estados da Bahia, Sergipe, Piauí e Pernambuco – onde possui autorização para atuar – acumula um volume de 260 a 300 notas diárias.

Esta fase, segundo Wesley Fernandes, gerente de TI da Petrobahia, existe basicamente para medir o servidor, tanto da organização, quanto da Sefaz, em sua capacidade de receber e enviar notas.

Implementação
O caminho da Petrobras é mais batido. A organização está no projeto desde 2006 e, além de pioneira na implementação da nota fiscal eletrônica no País, ela serve de exemplo para as companhias que ainda engatinham neste projeto.

É o que aconteceu com a Petrobahia em julho do ano passado. Com o apoio do governo da Bahia, algumas empresas da lista desta obrigatoriedade receberam um convite para um debate, no qual a Petrobras e a BR demonstraram a sua experiência nesta implementação.

Porém, para chegar a este patamar a Petrobras teve de encarar algumas dificuldades. Nelson Cardoso, CIO da empresa, conta que o formato do projeto é, basicamente, envolver a organização nele com um todo. E é neste ponto que esta implementação apresentou seus primeiros obstáculos.

A começar, para tornar o processo mais rápido foi necessário deslocar uma equipe para focar na NF-e dentro da Petrobras. “As primeiras soluções não contemplavam”, conta o CIO. Além disso, integrar todas as regiões do País gerou desequilíbrio, já que, alguns Estados ainda não possui o Sefaz Virtual – página que cada Estado deve disponibilizar para autorizar, remotamente, as notas emitidas em sua região. O projeto ainda incluiu ajustes no sistema de TI e a construção de uma solução de comunicação interna.

Após passar por adaptações de seus sistemas internos, buscar informações fiscais e testes, as companhias buscam as vantagens da nota fiscal

Já a Petrobahia, em seus primeiros passos, foi buscar informações, como o entendimento da legislação. A partir daí, para estar preparada para o 1º de abril, não demorou muito. Contando com o contrato “Full” que possui com a Microsiga em atualizações mensais de seu ERP, a organização passou por dois dias de atualização dos dados.

Além disso, a companhia investiu R$ 13 mil para obter um novo servidor Dell, aumentou a sua capacidade de navegação, com banda larga de1 mega e aderiu ao certificado digital da Serasa.

Fernandes explica que o volume de emissão de notas diárias não mudará com a versão eletrônica, porém, agora eles estarão isentos de dificuldades como na alteração de dados e operações fiscais. “A intenção é aumentar o nosso market share”, conta. O executivo calcula uma economia de até 50% por nota emitida.

Clientes
A adaptação ao projeto não dependerá apenas de quem irá emitir a NF-e, mas também de quem a receberá. Pensando nisso, a Petrobhia já envia o Danfe (representação simplificada da NF-e) para alguns clientes para eles se familiarizarem. Além disto, a companhia deixou disponível em sua página web uma “cartilha” que contém todas as informações sobre o modelo 55 da nota fiscal.

“Este foi o momento do trabalho braçal”, conta Fernandes, da Petrobahia. A empresa teve de revisar cadastros e desenvolver adaptação da nova base de dados. Já a Petrobras deu atenção para a revisão de processos e saneamento de cadastro. São no total 200 campos para preencher na versão eletrônica da nota fiscal.

A NF-e tem validade em todos os Estados da Federação e é uma realidade na legislação brasileira desde outubro de 2005. Hoje, mais precisamente, apenas os Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo apresentam maturidade e desenvolvimento das empresas neste projeto.

Os Estados participantes estão investindo entre R$ 2 milhões e R$ 15 milhões. Em São Paulo, por exemplo, foram destinados R$ 15 milhões para infra-estrutura, aquisição de servidores, equipamentos, rede, storage e desenvolvimento de aplicativos.

“Se o fisco cumprir com a palavra, e em 1º de abril, de fato, a NF-e der inicio para o nosso setor, sairemos à frente de nossos concorrentes”, conta Fernandes.

Segundo a Secretaria da Fazenda, as empresas que não iniciarem a emissão eletrônica das notas fiscais nesta data estarão impossibilitadas de seguir suas operações, sob as normas da lei.

por Tatiane Seoane – IT Web
17/03/2008

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